A decisão de impulsionar os canais por meio de marketplaces digitais ou consultorias especializadas desafia até os gestores mais experientes. É comum escutar relatos distintos de empresas que testaram ambas as alternativas, umas comemoram o alcance e a facilidade dos marketplaces; outras preferem a orientação e o refinamento que só a consultoria entrega. Mas o que há por trás do sucesso (ou dos tropeços) nessas jornadas? Entender as nuances de cada caminho é um primeiro passo para responder essa pergunta.
Por que buscar parceiros estratégicos nunca foi tão urgente
O cenário empresarial ficou mais complexo, competitivo e veloz. Plataformas, integrações e ofertas se sobrepõem em mercados cada vez mais saturados. Não existe mais espaço para estratégias solitárias. Nenhuma equipe comercial, por mais qualificada, consegue resultados consistentes sem a força dos parceiros certos. A pesquisa da Demand Gen Report ilustra bem esse novo contexto: 96% dos líderes veem seus parceiros revendedores como peça-chave no aumento da receita (dados da Demand Gen Report).
Por trás desse número, estão várias batalhas diárias. Metas que não fecham, leads que esfriam, pipelines pouco previsíveis. Quando alguém, seja em startups ou grandes empresas, decide buscar novos parceiros, há sempre um desejo de escala e previsibilidade. E, claro, as dúvidas: “Por onde começar?”, “Marketplace ou consultoria?”, “Quanto vou gastar e em quanto tempo volto a vender?”.
O que entrega um marketplace de parcerias
O marketplace de parcerias é um ambiente virtual onde empresas se conectam a potenciais parceiros, afiliados e revendedores em busca de negócios. Pense nele como um “hub” dinâmico, cheio de opções é quase como um shopping de oportunidades comerciais.
- Amplo alcance: permite acesso imediato a centenas, até milhares de possibilidades, sem barreiras geográficas.
- Rapidez: em poucos dias, contratos podem estar firmados. Ali, fechar cadastros e começar as operações pode ser quase instantâneo.
- Facilidade de comparação: métricas, avaliações e cases de parceiros ficam disponíveis ao alcance de um clique.
“Você descobre parceiros enquanto toma um café. E logo está marcando reunião.”
Números recentes mostram o poder dessa proposta. Segundo uma pesquisa da Americanas, 76,4% dos lojistas que atuam em marketplaces viram suas vendas crescer após ingressar nessas plataformas (análise da Americanas). Um estudo global destaca: 67% das vendas do e-commerce já se concretizam em marketplaces, superando em popularidade quase todos os modelos em 93% dos países (Boston Consulting Group).
No Brasil, Claudio Dias, CEO da Magis5, lembra que 80% das vendas online já ocorrem em marketplaces. Isso não ocorre por acaso: a automação oferecida por essas plataformas tornou-se o diferencial para vendedores que buscam escalar com velocidade e eficiência (estatística da Magis5).
No universo B2B, a lógica é semelhante. Plataformas especializadas exibem perfis de parceiros, modelos de comissão e até integrações prontas. Tem sempre alguém pesquisando, testando abordagens e, quando menos se espera, surge aquele contato que vira uma venda.
Vantagens claras do marketplace
- Volume rapidamente alcançável: Menos tempo gasto buscando e abordando parceiros.
- Maior diversidade: Possibilidade de formar parcerias inesperadas, inclusive com segmentos diferentes do planejado.
- Processos padronizados: Cadastro, análises e contratos tendem a seguir protocolos claros.
Mas, como tudo, existe o outro lado. Às vezes, a sensação é de estar escolhendo às cegas. Muitas empresas reclamam de baixo engajamento ou alta rotatividade dos parceiros. Já ouvi casos em que metade dos parceiros trazidos por marketplace não chega a concluir o onboarding. Outros somem antes mesmo da primeira venda. E a frustração aparece no balanço.
Custos – mais do que aparentam
- Custo da plataforma: Algumas cobram mensalidade, outras porcentual sobre vendas, e há modelos freemium muito limitados.
- Comissões maiores: Para atrair parceiros em larga escala, as taxas acabam sendo menos atrativas para quem paga.
- Custo de tempo com integração e triagem: O volume demanda filtro apurado, sob risco de perder energia com parceiros pouco sérios.
Importante frisar: O barato pode sair caro quando o gerenciamento do funil de parceiros não acompanha o volume.
O que entrega uma consultoria especializada
Consultorias dedicadas ao desenvolvimento de canais atuam como “personal trainers” de negócios. Elas analisam o perfil do produto, estudam o ICP (perfil de cliente ideal) e montam um plano sob medida, focando em menos parceiros, mas bem mais lapidados.
“A consultoria aponta onde insistir, recua onde não faz sentido.”
- Diagnóstico detalhado: Antes de buscar parceiros, entendem o negócio e desenham processos, conteúdos, regras de comissão e onboarding.
- Curadoria: Filtram possíveis parceiros por fit cultural, portfólio e oportunidades reais de vendas.
- Suporte consultivo: Ajudam a treinar, acompanhar e ajustar rotas, um a um.
O ritmo é outro: normalmente, há menos volume, mas o canal ganha musculatura aos poucos. O ciclo de vendas demora mais para tracionar, porém a retenção desses parceiros tende a ser surpreendente. É comum ouvir relatos de empresas que, após meses de consultoria, conseguem formar “super closer teams” poucos parceiros, porém hiperativos no funil.
Grandes acertos do trabalho consultivo
- Seleção precisa: Parceiros aderentes à cultura da empresa e ao ICP evitam problemas futuros.
- Onboarding cuidadoso: Diminui o “turnover” de parceiros e aumenta o engajamento real nos primeiros meses.
- Aprendizado contínuo: Processos são repensados e corrigidos ao longo da jornada, com análise detalhada dos resultados por parceiro.
Mas pode ficar pesado no bolso. Consultorias excelentes cobram alto, pelo diagnóstico, execução, treinamento e acompanhamento. E poucos prestadores conseguem entregar consistência ao mesmo tempo para vários clientes. É serviço artesanal e exige intensa troca, não raro com envolvimento da alta liderança da empresa.
Custos e desafios da consultoria
- Investimento inicial mais elevado: Projetos de consultoria possuem escopo customizado e contínuo acompanhamento.
- Escalabilidade limitada: Dificilmente um consultor consegue acelerar dezenas de parceiros ao mesmo tempo.
- Tempo para gerar resultados: Do diagnóstico ao go-to-market efetivo, podem se passar meses até colher vendas.
No artigo sobre engajamento e organização de leads parceiros, há dicas práticas que consultores insistem repetidamente, desde segmentar leads por fonte até personalizar ações de ativação.
Quem já testou os dois caminhos: histórias reais de closers
No fundo, nenhum cenário substitui o aprendizado prático. Conversando com heads de parcerias (os famosos “closers”) de SaaS, saúde e educação, surgem padrões interessantes:
- Em marketplaces, a história é quase sempre parecida: o volume empolga, mas a triagem toma tempo. Por outro lado, o networking não tem igual, se a equipe respira teste rápido, é onde brilham.
- Na consultoria, o aprendizado é profundo, quase sempre recheado de questionamentos. Dói enxugar a base, dizer “não” para candidatos até alinhados. Mas, no fim, os parceiros ativos conhecem muito melhor o produto e defendem a causa.
“Todo closer sabe: quantidade não vira resultado sem engajamento.”
Um gerente de canais, por exemplo, contou que, ao adotar marketplace, multiplicou a base de potenciais parceiros em poucas semanas. Parecia receita para crescimento exponencial. Só que, passados três meses, apenas 9% dos parceiros enviados pelo marketplace haviam trazido leads qualificados. O motivo? Expectativas desalinhadas, falta de suporte contínuo e ausência de follow-up efetivo. O entusiasmo inicial virou uma fila de acordos parados.
Já em experiência com consultoria, ele relata o contrário: poucos parceiros, mas todos ativos e trazendo resultado. Aqui, surge outra dúvida: será que o tempo para escalar não ficou longo demais? Com a pressão por crescimento no horizonte, resiliência é testada ao limite.
Cuidados ao integrar parceiros – evite armadilhas
Todo ganho de escala traz riscos de perder o controle da qualidade. No caso dos marketplaces, há histórias de empresas que abrem cadastro e, em questão de dias, enfrentam gafes: parceiros mandando comunicação errada, descumprindo regras de comissão ou até vazando informações. Escalar com pressa pode comprometer a reputação da marca. Aliás, artigo útil sobre gestão de engajamento em canais elenca casos de sucesso (e desastres) por falta de dashboards ou portais estruturados.
Consultorias, se bem conduzidas, superam grande parte desses riscos. Mas cabe ao gestor manter os olhos abertos para não perder tempo com burocracias excessivas. Já vi consultorias tão detalhistas na implantação que deixam o time comercial cansado antes mesmo da primeira venda. Um equilíbrio entre robustez e pragmatismo é crucial.
Listando riscos e prevenções
- Onboarding apressado: Traz confusão sobre metas ou divisão de leads. Tenha trilha clara e materiais prontos, vídeos, FAQs, contrato padrão.
- Falta de controles e dashboards: Torna impossível detectar rapidamente onde o parceiro falha. Ferramentas centralizadas resolvem essa dor, veja exemplos de integrações e monitoramento em artigo prático sobre integrações para escalar canais.
- Baixo fit cultural: Causa desalinhamento de propósito e muita frustração posterior. Vale rodar entrevistas, simulações e cases antes de validar o cadastro.
- Excesso de burocracia: Ao personalizar demais, a consultoria pode travar e perder timing para aproveitar oportunidades de mercado.
Encontrar o equilíbrio entre abertura, controle e personalização é uma arte construída toda semana. Às vezes, a resposta exige tentar, errar e corrigir rápido. Nem sempre há uma fórmula pronta.
Alcance, controle, efetividade, escolha seu compromisso
Um marketplace é uma vitrine infinita. O potencial de alcance não se discute, atrair parceiros, testar mercados e multiplicar abordagens estão a apenas alguns cliques de distância. No entanto, os meios de controle são limitados: você segue regras da casa, aceita parceiros padronizados, e quase sempre depende de ferramentas externas para avaliar performance ou compliance.
Já a consultoria entrega um canal mais artesanal, onde controle e afinidade estão no centro do processo. É um ambiente fértil para troca de experiências, mentorias personalizadas e aprendizado profundo. Só que isso cobra tempo, orçamento e envolvimento direto das lideranças. E, no ritmo frenético dos negócios, às vezes a janela passa.
Fit cultural e finalidade do canal – ponderando escolha
Ninguém deve decidir só pelo volume de parceiros ou pelo que parece mais rápido. Vale perguntar:
- O canal é visto como braço permanente do negócio ou como experimento? Se for essencial consolidar cultura, talvez consultoria atenda melhor. Se a urgência é aprender rápido, o marketplace faz sentido.
- O produto pede formação técnica do parceiro ou apenas vontade de vender? Projetos muito técnicos demandam onboarding mais profundo, comum nas consultorias.
- Existe estrutura pronta para gerir muitos parceiros ao mesmo tempo? Basta uma falta de controle para o projeto descarrilar.
Não faltam exemplos de marcas que expandiram muito pelo volume inicial de parceiros, mas enfrentaram desafios com identidade, mensagens contraditórias e até inadimplência de comissões. Em alguns mercados (como SaaS, educação e saúde), os dados do Influencer Marketing Hub mostram que 62,4% das marcas já trabalham com mais de dez influenciadores parceiros, volume exige controle preciso e acompanhamento próximo.
Por outro lado, quando a cultura é alinhada ao canal desde o início, o efeito de rede se multiplica. Parceiros satisfeitos atraem outros e a máquina gira quase sem esforço, seja via consultoria ou marketplace. O segredo mora no ajuste mágico entre timing do negócio, propósito do canal e o quanto a empresa aguenta investir de tempo, dinheiro e energia.
Refletindo sobre armadilhas e oportunidades
A ansiedade de crescer rápido pode jogar contra. É fácil se perder em dashboards bonitos, relatórios de alcance e reuniões de onboarding, sem nunca fechar parcerias que criam valor real. Não raro, equipes se veem presas no ciclo da prospecção eterna de parceiros pouco engajados.
Vale lembrar que, seja em consultoria artesanal ou em mercados digitais, o segredo ainda está na constância. Nada substitui acompanhar cada etapa, ouvir o feedback dos parceiros, ajustar o funil, treinar as pessoas e manter firme a visão do negócio.
“Escalar canais é como plantar: o cuidado é diário, mas a colheita surpreende.”
Ao equilibrar expectativas internas, estudar resultados e manter as portas abertas para reavaliar a estratégia, a empresa está sempre ajustando o ponto da virada.
No fim, talvez a resposta não seja “um ou outro”, mas “quando cada um faz mais sentido”. Ou, quem sabe, até combinando ambos: volume para testar e curadoria para escalar com sustentabilidade.
Para ir além, recomendamos conhecer estratégias vencedoras para escalar vendas B2B com parceiros do engajamento à retenção, independentemente da trilha escolhida.
Se o canal de parceiros será seu próximo motor de expansão, escolha seu caminho com calma. A trilha certa é aquela que leva à confiança, engajamento e, no fim, às vendas recorrentes.